Reabertura do Estreito de Ormuz teria efeito limitado para fertilizantes, avalia setor
A cadeia de fertilizantes no Brasil analisa com cautela o anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz, nesta quarta-feira (8/4). Desde o início do conflito no Oriente Médio, o segmento foi um dos mais impactados pela alta de preços e restrição na oferta.
O conflito envolve, desde o dia 28 de fevereiro, diversos países do Oriente Médio, uma das principais regiões fornecedoras de insumos e fertilizantes.
Segundo o diretor executivo do Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert), Bernardo Silva, não se trata apenas de um problema logístico, uma vez que a infraestrutura produtiva do Oriente Médio também pode ter sido impactada. Esse cenário levanta dúvidas sobre a capacidade real de produção no pós-guerra.
"Não sabemos exatamente a dimensão do estrago na capacidade industrial da região. Portanto, ainda que haja uma reabertura, não sabemos qual vai ser a capacidade de oferta", observa Silva, que não acredita em um retorno ao cenário anterior ao início da guerra.
"Pode arrefecer a pressão e as dúvidas podem diminuir um pouco, mas a gente entende que não é algo que vai voltar aos patamares anteriores", resume o executivo.
Pelo Estreito de Ormuz passa cerca de 50% do enxofre do mercado global. O insumo é um elemento importante na produção de diversos tipos de fertilizantes.
Silva ressalta que há uma competição por matérias-primas entre diversas cadeias produtivas, sendo que algumas delas pagam mais do que o segmento de fertilizantes.
"O mesmo enxofre que vai para a produção de ácido sulfúrico e fertilizantes, vai para a lixiviação de minerais que vão para a cadeia de transição energética, baterias, etc. Há uma competição que vem criando um vetor de pressão que não é apenas a questão geopolítica e o fechamento do estreito", acrescenta.
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Pelo Estreito de Ormuz passa cerca de 50% do enxofre do mercado global — Foto: Getty Images
Governo cauteloso
A sensação também é de cautela entre integrantes do governo federal. "Não acredito em grandes mudanças nesse momento. Estamos com grande especulação e quanto mais confuso, melhor para aumentar as incertezas", afirma o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos.
Sobre a inclusão de alguma medida específica para aquisição de fertilizantes no Plano Safra 2026/27, Campos negou que haja algo previsto.
"O Plano Safra está no momento em construção e deveremos ter muitas sugestões e todas são bem-vindas.
Para nós, não chegou essa sugestão, que eu acho bem razoável. O cenário é bem desafiador", resumiu.
Por Danton Boatini Júnior e Rafael Walendorff — São Paulo e Brasília
Imagem espacial do Golfo Pérsico, Estreito de Ormuz e Golfo de Omã — Foto: Jacques Descloitres/NASA

