Produtores pedem aumento nas misturas de biodiesel e etanol contra alta nos combustíveis
A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) pediu para o governo federal avançar com o cronograma de aumento da mistura do biodiesel ao diesel fóssil, atualmente em 15%, e de adição do etanol à gasolina, hoje em 27%. O objetivo é reduzir a dependência dos combustíveis importados em momento de alta nos preços por conta da guerra.
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) vai se reunir nesta quinta-feira (12/3). Não há, por ora, previsão de votação de alteração nos mandatos de mistura obrigatória de biodiesel no diesel e de etanol na gasolina. Na sexta-feira (6/3), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu ao Ministério de Minas e Energia que o teor de adição do biodiesel seja elevado diretamente de 15% para 17%. Procurada, a Pasta não comentou.
Em nota, a entidade expressou "preocupação com a gravidade da interrupção do fornecimento de diesel às propriedades rurais em pleno período de colheita da soja e o cultivo do milho segunda safra". A Aprosoja Brasil disse que a medida é intempestiva, afeta diretamente a operação no campo e coloca em risco a produtividade e a segurança alimentar do país.
A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou, no fim de semana, que o fornecimento do combustível está normal. Há relatos, principalmente no Rio Grande do Sul, sobre falta ou encarecimento do diesel em função dos efeitos da guerra no Irã nos preços mundiais do petróleo.
A Aprosoja alertou para o "risco de oportunismo por parte de fornecedores que, diante da escassez, podem elevar preços de forma abusiva". Segundo a entidade, o movimento "pressiona os custos de produção, encarece o transporte de mercadorias e pode resultar em inflação de alimentos, além de perdas irreversíveis de produção que não venha a ser colhida".
A entidade ressaltou que a situação evidencia a "fragilidade do abastecimento de diesel no Brasil". O país exporta petróleo bruto, mas ainda depende da importação de diesel e gasolina.
Por Rafael Walendorff — Brasília
Fonte: Globo Rural
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