Sucroenergéticas captam quase R$ 8 bilhões com CRAs em um ano
O setor sucroenergético tende a buscar diferentes opções de crédito para investir em seus canaviais. Além de captar recursos diretamente com bancos já conhecidos pelo agronegócio, as companhias também podem atuar diretamente com o mercado de capitais.
“O agro cresceu mais rápido do que as fontes de financiamento tradicionais conseguiram acompanhar”, afirma o sócio e líder de agro da XP Inc, Pedro Freitas, em evento da Datagro. Segundo ele, o setor registrou um crescimento de 17% de receita nos últimos anos.
De acordo com Freitas, nos últimos doze meses, as sucroenergéticas captaram R$ 11 bilhões. Deste total, R$ 7,8 bilhões vieram de certificados recebíveis do agronegócio (CRAs); R$ 7,3 bilhões de debêntures; e R$ 500 milhões por meio do Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros).
A maior participação no mercado de capitais é das usinas que utilizam a cana-de-açúcar como matéria-prima principal. Conforme Freitas, 85,6% das captações realizadas nos últimos doze meses foram das usinas de cana. Em seguida, as plantas de etanol de milho foram responsáveis por 9,1% do total, enquanto as flex, que utilizam tanto o grão quanto a gramínea, corresponderam a 5,1%.
O sócio da XP Inc explica que essa discrepância acontece porque as usinas de milho e flex começaram a participar do mercado de capitais há pouco tempo. Além disso, a tendência é de que essa parcela cresça nos próximos anos.
“Até outro dia, a penetração desses outros participantes era praticamente zero e, agora, ela vem crescendo bastantes conforme vai tendo um aumento desses projetos, com novas plantas, novas indústrias e novas empresas participando desse setor”, explica Freitas.
Ele ainda considera que o CRA é, atualmente, a principal ferramenta de captação do setor sucroenergético. Desde 2017, os investimentos já somam R$ 42,5 bilhões, repartidos entre 136 operações – considerando também a expectativa para fechamento deste ano.
Inclusive, em 2017, o setor representou 28% de todas as ofertas de CRAS do mercado. Na época, foram 13 emissões, que somaram R$ 3,5 bilhões. Para 2025, a XP espera que 21 operações movimentem R$ 7,3 bilhões. Esse montante representaria entre 16% e 17% do mercado.
Freitas detalha que o crescimento ocorreu porque os investidores conhecem mais o agronegócio: “Há mais empresas prontas para emitir e se preparando em termos de governança e transparência, buscando o mercado de capitais como fonte de financiamento”.
Além disso, ele ressalta que o setor sucroenergético teve um início forte no mercado de capitais, com uma grande representatividade no começo, mas que acabou sendo diluída conforme outros subsetores do agronegócio foram adentrando o mercado.
No texto completo, exclusivo para assinantes, confira mais detalhes das principais emissões realizadas entre setembro e outubro por seis companhias com atuação no setor: Cocal, Zilor, 3Tentos, Jalles, Batatais e Nardini.
Via Novacana
Imagem Adecoagro

