Disputa no mercado de etanol: EUA pressionam Brasil por comércio equilibrado
A relação comercial entre Estados Unidos e Brasil no setor de etanol voltou ao centro das atenções. Segundo publicação da Czarnikow, a Associação de Combustíveis Renováveis (RFA) intensificou sua pressão para que o governo norte-americano adote medidas firmes contra as barreiras impostas pelo Brasil, sobretudo a tarifa de 18% que, na visão dos produtores americanos, compromete a competitividade. Desde 2018, as exportações dos EUA para o mercado brasileiro despencaram, levando o setor a exigir ações imediatas.
Em audiência realizada em Washington pelo Representante Comercial dos EUA (USTR), a RFA afirmou que as práticas comerciais brasileiras têm causado sérios prejuízos à indústria americana de etanol. Geoff Cooper, presidente e CEO da entidade, defendeu que a administração Trump deveria agir de maneira mais incisiva para restabelecer condições justas.
Vale lembrar que, em julho, o USTR abriu uma investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O objetivo é avaliar se as políticas brasileiras configuram discriminação ou restrições irrazoáveis contra o produto norte-americano.
Segundo Cooper, a criação de barreiras tarifárias e não tarifárias nos últimos oito anos demonstraria uma intenção clara de reduzir a entrada do etanol de milho dos EUA no Brasil. Ele também destacou que programas como o RenovaBio e iniciativas estaduais ligadas a combustíveis de baixo carbono acabam favorecendo o etanol de cana brasileiro.
Nos estados produtores de milho, o clima é de insatisfação. Stu Swanson, presidente da Associação de Produtores de Milho de Iowa, declarou em entrevista à Brownfield Network que espera uma resolução “rápida e justa” para a disputa.
“O Brasil já foi um dos maiores compradores do nosso etanol. Hoje não exportamos praticamente nada para lá, enquanto eles conseguem vender para os EUA sem pagar tarifas”, disse Swanson.
De acordo com a Associação Nacional de Produtores de Milho, as exportações americanas de etanol para o Brasil caíram de US$ 761 milhões em 2018 para apenas US$ 53 milhões em 2024, refletindo o peso da tarifa e das demais restrições comerciais.
Para equilibrar o mercado, a RFA apresentou um pacote de medidas ao governo dos EUA: negociar com o Brasil a remoção definitiva da tarifa sobre o etanol americano; enquanto a barreira existir, aplicar integralmente a tarifa de 50% já prevista contra o etanol importado do Brasil; eliminar os entraves que impedem os EUA de participar plenamente do programa RenovaBio; ajustar os créditos de conformidade do Renewable Fuel Standard (RFS) para reduzir a vantagem competitiva do etanol brasileiro e retirar o Brasil do Sistema Generalizado de Preferências (SGP), que concede benefícios comerciais.
Apesar das críticas, os números mostram que o etanol brasileiro ainda mantém relevância no mercado norte-americano. Em 2024, o Brasil exportou 313,3 milhões de litros do combustível para os EUA, de acordo com dados da alfândega brasileira.
A preferência dos compradores americanos, sobretudo em estados como a Califórnia, está ligada ao menor índice de carbono do etanol de cana em comparação ao de milho. Esse diferencial tem sido estratégico em mercados que priorizam políticas de redução de gases de efeito estufa.
Via Canaonline/Czarnikow

