Mercado da soja oscila no Brasil e em Chicago, com alta oferta, lentidão nas vendas e clima nos EUA influenciando os preços
Alta oferta pressiona o mercado da soja no Brasil
O mercado da soja no Brasil segue pressionado, refletindo uma combinação de alta oferta, lentidão nas vendas e estrutura logística sobrecarregada. Em diferentes estados produtores, os preços apresentam recuos, mesmo diante de uma safra robusta.
Rio Grande do Sul mira vendas para 2026
Segundo a TF Agroeconômica, o mercado gaúcho segue com boa liquidez, especialmente para negócios de longo prazo, com foco em 2026. Os preços recuaram, com cotações variando conforme a data de pagamento:
- Agosto: R$ 138,70 (-0,93%)
- Setembro: R$ 143,50
- Outubro: R$ 145,00
Nas praças do interior, os preços para exportadores e fábricas também caíram:
- Cruz Alta, Passo Fundo e Ijuí: R$ 131,00 (-1,50%)
- Santa Rosa/São Luiz: R$ 133,00 (-1,48%)
- Panambi: R$ 123,00 (preço de pedra ao produtor)
Santa Catarina tem comercialização travada
Em Santa Catarina, apesar da colheita concluída com bons resultados, a comercialização continua lenta. Em 22 de julho, o preço médio da soja no estado era de R$ 121,00 por saca. O farelo granel estava cotado a R$ 1,81 e o ensacado a R$ 2,07.
A baixa liquidez preocupa o setor, especialmente diante do aumento da produção, o que gera pressão sobre a capacidade de armazenagem e exige melhorias logísticas.
Paraná: liderança nas exportações e preços pressionados
Apesar das dificuldades internas, o Paraná foi o principal exportador da região Sul no primeiro semestre, com US$ 11,1 bilhões em vendas — a soja representou 19,2% desse total.
As cotações nas principais regiões do estado foram:
- Paranaguá: R$ 136,20 (-0,22%)
- Cascavel: R$ 122,36
- Maringá: R$ 122,89
- Ponta Grossa: R$ 121,96 (FOB) e R$ 118,00 (balcão)
- Pato Branco: R$ 138,11 (-0,25%)
Mato Grosso do Sul: safra recorde e lentidão nas vendas
Mesmo com uma colheita expressiva, o Mato Grosso do Sul também enfrenta ritmo lento na comercialização. Os preços recuaram em diversas regiões:
- Dourados: R$ 120,63 (-2,72%)
- Campo Grande: R$ 120,63 (-1,53%)
- Maracaju: R$ 120,63 (+0,28%)
- Chapadão do Sul: R$ 119,01 (-0,40%)
- Sidrolândia: R$ 125,09
Mato Grosso: alta produção e desafios logísticos
No dia 16 de julho, o estado projetou uma safra recorde de 50,58 milhões de toneladas — 29% acima da anterior. Porém, a grande oferta pressiona a logística e os preços seguem em queda:
- Sudeste MT: -0,24%
- Diamantino: -1,5%
- Campo Verde, Primavera do Leste e Rondonópolis: R$ 119,85
- Lucas do Rio Verde: R$ 116,66
- Nova Mutum: R$ 114,10
- Sorriso: R$ 111,90
Soja tem leve recuperação na Bolsa de Chicago
Após duas sessões consecutivas de queda, o mercado da soja voltou a subir nesta quarta-feira (23) na Bolsa de Chicago. Os contratos mais negociados subiam entre 5,50 e 6,25 pontos:
- Agosto: US$ 10,15 por bushel
- Novembro: US$ 10,32 por bushel
A alta foi motivada por realização de lucros, mas os fundamentos permanecem pressionados. Entre os fatores de baixa estão o clima favorável no cinturão agrícola dos EUA (Corn Belt), a boa evolução da safra 2025/26 e a demanda incerta pelos produtos norte-americanos.
Expectativas sobre relações entre China e EUA
O mercado segue atento a possíveis encontros entre autoridades dos EUA e da China. Espera-se uma reunião em Estocolmo entre o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e representantes chineses. Rumores indicam que a China estaria cotando fretes marítimos para importar soja dos EUA, o que pode influenciar os preços futuramente.
Fechamento misto em Chicago na terça-feira (22)
Na véspera, a soja fechou de forma mista na CBOT:
- Agosto: US$ 10,10 por bushel (-0,47%)
- Setembro: US$ 10,08 por bushel (-0,25%)
- Farelo de soja: US$ 273,80 por tonelada curta (+1,22%)
- Óleo de soja: US$ 55,63 por libra-peso (-0,78%)
Mesmo com a queda na qualidade das lavouras americanas — com 68% classificadas como boas ou excelentes, abaixo dos 70% da semana anterior e dos 71% esperados —, o clima favorável pesou mais nas decisões dos investidores.
Argentina contribui com suporte ao complexo soja
O farelo de soja foi o destaque positivo do dia, ajudando a limitar perdas. O contrato de agosto subiu US$ 3,64, fechando a US$ 301,81 por tonelada.
Dados do Ministério da Agricultura da Argentina também contribuíram: a moagem de soja em junho foi de 4.055.149 toneladas — alta de 4,4% sobre maio e de 2,17% em relação a junho de 2024. Esses números sinalizam uma retomada na indústria de processamento e também influenciam o mercado internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio

