NOTÍCIAS

O aceno desenvolvimentista de Alexandre Silveira para o gás e refino no MME

O novo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, adotou um tom desenvolvimentista em seu primeiro discurso oficial no comando da pasta. Defendeu a necessidade de o país buscar a autossuficiência em insumos e pregou a necessidade de aumento da oferta de gás nacional --- em meio às discussões, no Congresso, sobre incentivos à ampliação da infraestrutura do gás.

Sinalizou, ainda, que o Brasil voltará a investir na expansão do refino, tendo a Petrobras como indutora de investimentos na área.

Mineiro, Alexandre Silveira fez alusão ao passado desenvolvimentista do conterrâneo Juscelino Kubitschek para falar sobre o perfil que o governo Lula pretende dar ao MME como uma "pasta indutora do desenvolvimento".

Ao destacar a importância de ampliar o acesso do mercado brasileiro ao gás natural, citou o baixo índice de aproveitamento do gás nacional -- em linha com os discursos de parte da indústria consumidora e distribuidoras, de que o Brasil possui altos índices de reinjeção de gás.

Leia Mais - Açúcar começa o ano em baixa; Etanol hidratado sobe 2,69% na última semana de 2022

"Será fundamental trabalharmos para o bom aproveitamento do gás, muitas vezes preterido e desperdiçado no planejamento energético", afirmou.

"O caminho de valorização do gás passa, antes de tudo, pela democratização do acesso para toda a cadeia indústria e para as residências do nosso país", completou.

Nos últimos anos, despontaram, no Congresso, pautas relacionadas a incentivos para a expansão da infraestrutura de gás no país. Primeiramente com o Brasduto --- voltado para a interiorização da malha de gasodutos de transporte --- e mais recentemente com o Proescoar, para estímulo à construção de novos gasodutos de escoamento offshore.

Tratam-se de investimentos vultuosos em infraestrutura. De certa forma, alinhados com o tom da campanha petista, que promete retomar obras e grandes investimentos em infraestrutura para acelerar o crescimento doa economia do país.

Mais refino

Silveira defendeu também a expansão do parque de refino nacional --- nenhuma novidade, em relação às sinalizações dadas por Lula durante a campanha.

O novo ministro de Minas e Energia lembrou que a capacidade de refino brasileira é deficitária, o que deixa o mercado doméstico refém das importações e exposto a "constantes e abruptas" oscilações de preços internacionais.

"Alguma coisa estamos fazendo de forma equivocada", discursou.

Silveira defendeu a necessidade de se implementar um desenho de mercado que promova a competição, mas que, ao mesmo tempo, preserve o consumidor da volatilidade dos preços dos combustíveis.

"É muito difícil explicar ao povo brasileiro que somos o paraíso dos biocombustíveis, que temos a riqueza do pré-sal, mas que ele ficará inevitavelmente à mercê dos preços das commodities internacionais", afirmou Silveira.

O novo ministro de Minas e Energia disse que será preciso "exercitar a criatividade" na busca de soluções para os preços dos derivados, de forma que conciliem o interesse de investidores e consumidores.

Convidou a Petrobras a colaborar com o assunto e com a expansão do parque de refino.

"Nesse ponto, a Petrobras na qualidade de vetor estatal do desenvolvimento setorial e maior refinador do país, terá papel central na expansão, conduzindo o processo e induzindo a adesão de outros agentes", comentou

O governo Lula é avesso ao programa de venda das refinarias da Petrobras. Além de posicionar a petroleira como uma ferramenta de indução do desenvolvimento econômico, o relatório final da transição critica o Abastece Brasil -- programa herdado do governo de Michel Temer (MDB) -- e as políticas de desregulamentação do setor de combustíveis.

"As atenções do novo governo devem se voltar para as leis, decretos e outros atos normativos que representam um risco de perpetuação do desmonte da área de minas e energia, bem como para a necessidade de medidas de reconstrução das políticas públicas do setor", citou o relatório.

A Petrobras tem alguns investimentos em expansão do refino na carteira, como a conclusão do segundo trem da Rnest (PE) e investimentos em combustíveis e lubrificantes do polo Gaslub (antigo Comperj), em Itaboraí (RJ).

O relatório elaborado pelo subgrupo de óleo e gás da transição propõe a criação, em 60 dias, de um plano de expansão do refino nacional.

Segurança do sistema elétrico

Sobre o setor elétrico, Silveira direcionou o seu discurso à intenção de ampliar as fontes renováveis e, ao mesmo tempo, garantir a segurança do sistema e a universalização do acesso à energia. Prometeu, nesse sentido, concluir o programa Luz Para Todos.

Isso tudo sem abrir mão da modicidade tarifária.

"Temos que lutar, com afinco, pela redução das tarifas de forma ampla, estrutural e duradoura e garantir tarifa social para chegar a todas famílias que dela precisam", disse.

Citou, ainda, a crise hidrológica de 2021 e a necessidade de aperfeiçoamento no planejamento energético.

"Não há como descuidar do planejamento e segurança do suprimento e corrermos o risco de novos apagões, a exemplo do que aconteceu em 2021. Nosso planejamento não pode errar", comentou.

Por André Ramalho, via Agência epbr

Codemge
Governo de Minas
Usina Coruripe
Bayer
Copercana
Cocred
Patrocinío Master
Canacampo
Siamig
Agência
Realização