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Incidência de ferrugem-marrom na cana podem ser reduzidas a longo prazo com mudanças climáticas

Pesquisa de cientistas da Embrapa Meio AmbienteEmbrapa SemiáridoUniversidade Estadual de Campinas e Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria, da Argentina, indica que as alterações do clima podem modificar a incidência de ferrugem-marrom em diferentes regiões do mundo.

Os pesquisadores simularam o risco da ferrugem-marrom da cana para a principal região produtora do estado de São Paulo nos cenários projetados de mudanças climáticas.

O estudo mostra que, a longo prazo (2071-2100), as condições indicam redução da favorabilidade climática para a doença, mas a curto e médio prazos (2011-2040 e 2041-2070) vai requerer atenção no manejo na região produtora.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, Emilia Hamada, “esses estudos permitem prospectar modificações das áreas climaticamente favoráveis para a ocorrência da ferrugem-marrom por longos períodos”.

De acordo com o levantamento feito, as mudanças climáticas podem causar alterações significativas na ocorrência e gravidade de doenças agrícolas e na distribuição de problemas fitossanitários com graves consequências econômicas, sociais e ambientais. Apesar de sua importância, essas novas distribuições geográficas e temporais de doenças de plantas ainda exigem análises.

“Prospectamos a distribuição geográfica da ferrugem-marrom (Puccinia melanocephala) da cana-de-açúcar, considerando as temperaturas médias e umidade relativa na principal região produtora do estado de São Paulo”, explica Hamada.

Detectada no Brasil em 1986, é uma importante doença da cana-de-açúcar e está presente em praticamente todo o mundo. “Simulamos a sua distribuição geográfica com base na favorabilidade climática e considerando as projeções do clima nos cenários futuros”, diz a pesquisadora.

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Segundo publicação da Embrapa, as concentrações atmosféricas globais de dióxido de carbono são as mais altas em 2 milhões de anos, e as concentrações de metano e óxido nitroso são as maiores em 800 mil anos, conforme dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC, de 2021.

Como resultado do crescimento contínuo das concentrações de gases, a temperatura continuará a aumentar até meados do século em todos os cenários considerados, a menos que reduções profundas de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa ocorram nas próximas décadas.

Sobre os possíveis cenários estudados, a temperatura da superfície global muito provavelmente pode aumentar de 1,0 °C a 1,8 °C, sob uma emissão de gases de efeito estufa muito baixa, em um cenário otimista, e por 3,3 °C a 5,7 °C, sob um cenário de altas emissões, ao longo do período de 2081-2100, quando comparado a 1850-1900. Além disso, o aquecimento global também envolve uma ampla gama de eventos, incluindo a elevação do nível do mar, derretimento de geleiras, mudanças nos regimes de chuva e eventos climáticos extremos (ondas de calor, inundações, secas, ciclones tropicais), que se intensificarão e se tornarão mais frequentes na maioria das regiões do mundo.

“No que diz respeito à produtividade das culturas, as alterações climáticas serão cada vez mais prejudiciais à medida que os níveis de aquecimento progredirem. A produção de cana-de-açúcar no mundo pode ser afetada negativamente e desafios mais significativos surgirão como consequência, especialmente a seca”, enfatiza a pesquisadora Francislene Angelotti,da Embrapa Semiárido (Petrolina, PE).

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e a região Sudeste responde por 63% da produção, sendo São Paulo responsável por 51,8%. “É fundamental a realização de pesquisas para a prospecção da distribuição geográfica e temporal de doenças de plantas no Brasil, tendo em vista a adoção de medidas fitossanitárias adequadas para auxiliar em estratégias de adaptação frente aos cenários de mudanças climáticas”, explica Angelotti.

As mudanças climáticas podem modificar não só a geografia das culturas, mas também a das doenças, alterando o seu rendimento. No entanto, esses efeitos não serão iguais para todas as regiões e culturas, uma vez que áreas anteriormente livres de certos patógenos podem, em cenários climáticos futuros, apresentar risco potencial para a ocorrência de doenças, ou mesmo afetar significativamente a gravidade e a incidência.

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No estudo participaram também Renata Gonçalves, da Universidade Estadual de Campinas, e Alejandro Rago, do Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria da Argentina.

Por Andréia Vital, via Jornal Cana

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